O dia que eu dei aula de design para futuros programadores

Um texto curto sobre a paixão e o orgulho que tenho em lecionar design.

Foto de Priscilla Du Preez

Fui convidado, no dia 22 de outubro de 2021, para dar uma aula sobre UX e UI para alunos do curso técnico de informática do Colégio Satc, de Criciúma, em Santa Catarina. A ideia era levar um pouco do contexto da construção de produtos digitais para futuros programadores, e mostrar o que acontece antes do desenvolvedor entrar com o código. Introduzi a eles sobre o design de experiência e interface, mostrando quem são os profissionais dessa área, o que fazem, porquê fazem e como fazem.

Para que isso não virasse uma palestra chata, comigo falando sem parar e fazendo eles dormirem, decidi preparar uma dinâmica com eles de construção de uma interface digital. Elaborei um simples problema e um briefing bem curtinho, para que em torno de 3 horas eles pudessem entender, pelo menos um pouco, a importância do cuidado e construção de uma interface digital.

Formei dois grupos entre os alunos que estavam presentes, e apresentei a primeira dinâmica que iriamos fazer: o crazy 8’s. Entreguei uma folha de papel para cada um dos alunos, e expliquei que, durante os próximos 8 minutos, eles teriam que expor suas ideias no papel, considerando que cada ideia deveria ser desenhada em até 1 minuto para sobrar tempo para a próxima. E se você, como eu, já usou o Crazy 8’s com outras pessoas, principalmente com quem não é da área de design, sabe que pode ser muito difícil conseguir encher todo o papel em apenas 8 minutos. Exatamente por esse fator que peguei leve com eles. Ao mesmo tempo que deixei eles livres para expressar a criatividade, também apresentei algumas possíveis soluções que eles poderiam rabiscar, mas de forma crua. O meu intuito principal era estimular a criatividade do pessoal, até porquê, criatividade não é um dom, todos nós temos, ela só precisa ser praticada.

No fim da dinâmica, somente 1 aluno conseguiu desenhar 8 ideias diferentes, mas isso não representou nenhum problema. Tirá-los da zona de conforto já foi uma pequena vitória, e o que me deixou muito contente, foi a etapa seguinte. Pedi para que cada grupo se juntasse e conversassem sobre as ideias que tiveram, o que imaginaram para esse aplicativo, o que poderia ter, o que não poderia, e, para ser sincero, eu achei que seria um papo muito rápido, mas eles mergulharam de cabeça no problema que eu levantei, e ficaram discutindo sobre as ideias e a construção do produto, até o momento da votação. Ao final do Crazy 8’s, pedimos para que os participantes votem naqueles que mais acharam interessante, e por conta do tempo, eu havia planejado que, após finalizarem os votos, já pudessem ir ao Figma, programa que escolhi para a etapa de prototipagem, e iniciassem a construção das interfaces que desenharam, e foi nesse momento que senti o quão engajados eles estavam. O primeiro grupo que finalizou perguntou se, antes de partirem para o Figma, poderiam rabiscar novamente as ideias mais votadas, mas dessa vez, expressando um pouco mais do bate-papo que tiveram após o cronometro ter terminado. Essa simples pergunta fez valer a pena ter saído de casa nesse dia.

Recomendei ao outro grupo seguir a mesma ideia, e após todos terem finalizado seus wireframes, começaram a construção das interfaces em alta fidelidade, e até o final da aula, ficaram conversando, se ajudando, e evoluindo os rabiscos que fizeram anteriormente.

Uma vez me perguntaram o que me motiva, e eu respondi que fazer uma pessoa sorrir é a coisa que mais me deixa preenchido. Eu sempre gostei de conversar, trocar ideias, compartilhar conhecimento, mas não sabia que queria ser professor até ter a oportunidade de fazer isso. Nada é mais gratificante pra mim do que saber que eu pude ajudar alguém de alguma forma, e quanto mais eu puder fazer isso, independente das formas, mais completo eu serei.

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Product designer, instrutor de UX na Alura, pro player de Figma e especialista em Harry Potter.

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Mateus Villain

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